TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO HEMATOPOIÉTICAS

O Transplante de Células-tronco Hematopoética (TCTH), é realizado na Unidade de TMO do Hospital Infante D. Henrique da Associação Portuguesa de Beneficência ( APB) de São José do Rio Preto, SP que se localiza no 3º Andar do prédio do Centro de Diagnóstico na rua Luiz Vaz de Camões, 3150.

O transplante tem a peculiaridade de ser uma unidade agregadora por necessidade de muitos profissionais trabalhando em conjunto para o atendimento dos pacientes em demanda a tratamentao na unidade.

Assim, além de uma equipe médica afeita ao transplante, necessita de suporte médico de hematologia, suporte de serviço hemoterápico e laboratorial e de recursos complementares de diagnóstico disponíveis, e que são utilizados com frequência no atendimento dos pacientes internados ou em regime de hospital dia.

O TMO tem o seu ponto central na equipe de enfermagem, que tem a peculiaridade e responsabilidades diversas da dos outros setores do hospital.

Diferentemente dos outros tipos de tratamento, o procedimento é clínico, mas equivocadamente considerado cirúrgico, por ter coleta das células da medula em ambiente cirúrgico. O TMO é previsível e sistemático, organizado, mas cheio de nuances e de variáveis comumente não observadas em outros tipos de procedimentos médicos.

A guisa de lembrança, o TMO foi o último procedimento médico clínico a receber a outorga do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, na figura do médico E. Donall Thomas em 1990. Assim, várias condutas são obrigatórias e devem ser seguidas, pois vão do trivial ao óbvio no tratamento dos pacientes, mas que não devem ser banalizadas.

O TMO é um procedimento de direção defensiva, e a enfermagem a guardiã destes procedimentos, nas fases de preparação, na coleta de células, nas complicações dos pacientes, como por exemplo, em seus estados febris e demais fases do procedimento.

O paciente muitas vezes dependendo do tipo de doença transplantada, permanece confinado durante muito tempo sob os cuidados médicos da equipe. Esta equipe é multiprofissional e todos, fisioterapia, nutrição, psicologia, assistência social, odontologia e outros são fundamentais.

A unidade realiza transplantes autólogos (com células do próprio paciente) e alogênico (de doadores) em várias doenças como neoplasias hematológicas e não hematológicas, doenças hematológicas adquiridas, doenças hereditária e autoimunes.

Medula Óssea

A medula óssea é um tecido do tipo esponjoso, localizado dentro dos ossos, constituídos por “células-mãe ou células tronco ” (células especializadas) que se dividem e amadurecem para formar as células sanguíneas do corpo, produzindo o sangue.

O Sangue

O sangue é um líquido vermelho bombeado pelo coração, responsável pelo transporte dos nutrientes até os tecidos, através dos vasos sanguíneos     (artérias e veias). É constituído por uma parte de cor amarelada, que chamamos de plasma, na qual estão misturadas as partes sólidas: hemácias, glóbulos brancos e plaquetas. Devido à presença da molécula de hemoglobina nas hemácias, o sangue é de cor vermelha.

Através da multiplicação das “células tronco” é que serão produzidas as células sanguíneas, dando origem às diferentes linguagens: as células brancas, os leucócitos, as células vermelhas, que são as hemácias e as plaquetas.

Estas células sairão do interior dos ossos (medula óssea) e irão para os vasos sanguíneos.

No sangue, cada um de seus componentes tem uma função especial. O plasma transporta água, sais, alimentos, hormônios e drogas para os tecidos e transporta para fora elementos dos quais se livra através dos pulmões (na respiração) e através dos rins (na urina ).

Os glóbulos brancos (leucócitos) protegem o corpo contra infecções. As plaquetas ajudam a evitar sangramentos, assim como outras substâncias existentes no sangue.

Os gló

ALOGÊNICO

AUTÓLOGO

SINGÊNICO

O transplante alogênico é um tipo de transpalnte que utiliza células provenientes de um doador. O doador pode ser um parente (irmão) compatível ou haplo idêntico (pais ou primos semi compatível) ou não aparentado compatível ou semi compatível (banco de doadores de medula óssea ou sangue de cordão).

O transplante autólogo é aquele no qual as células são oriundas do próprio paciente e coletadas durante o período de remissão e criopreservadas para serem reinfundidas após uma fase de quimioterapia intensiva.

O transplante singênico é um transplante alogênico de um irmão gemelar compatível totalmente.

Tanto nas doenças malignas como nas não-malignas, o objetivo do TCTH é a cura ou prolongamento da sobrevida com melhor qualidade de vida.

O sucesso do TCTH é influenciado por uma série de fatores, incluindo as condições físicas, diagnóstico e estágio da doença. Cada doença responde de uma maneira diferente.

Pré – TCTH

O paciente deverá ser encaminhado pelo seu médico para avaliação. Esta é a fase mais importante do transplante onde será realizada a confirmação do diagnóstico e após esta avaliação o melhor momento para a indicação.

Neste momento serão realizados exames clínicos e exames gerais do paciente. Nesta fase, é importante que sejam avaliados todos os problemas de ordem econômica (moradia, transporte e alimentação) e familiar (apoio, participação e doadores), para que possam ser solucionados antes da internação.

Consentimento

O consentimento para a realização do TCTH deverá ser assinado pelo paciente ou responsável, antes do início de todos os passos que envolvem o transplante autólogo ou alogênico, sendo um documento legal de concordância com o tratamento.

Cateter Venoso Central

Para dar início ao seu programa de tratamento, um Cateter Venoso Central será implantado pela equipe de cirurgia do tórax, cirurgião vascular e sob anestesia. Este cateter é um tubo flexível que entra pela pele da região anterior do tórax e segue por uma veia calibrosa até o coração. Por este cateter, será realizada a coleta de Células-tronco Hematopoiéticas periféricas através de um procedimento chamado Aférese. Além disso, por este cateter, que permanecerá durante todo o período do transplante será coletado sangue para exames, infundidas as medicações, transfusões de hemácias (sangue), plaquetas e infundida as Células-tronco Hematopoiéticas. Desta forma, os pacientes ficarão livres das desconfortáveis e dolorosas punções nos braços. Este cateter será colocado antes do início do transplante, permanecendo durante toda a internação e após a alta, até que não seja mais necessário. Você será orientado em relação aos cuidados com os mesmo pela equipe de enfermagem, pois, cuidados adequados evitarão infecções, podendo permanecer o tempo necessário no auxílio do seu tratamento.

O Transplante de Células Tronco hematopoéticas ocorre no quarto do hospital (leitos da Associação Portuguesa de Beneficência), onde as células coletadas serão reinfundidas através do cateter venoso central. O procedimento é parecido com uma transfusão de sangue sendo, portanto, indolor. Durante a infusão você será avaliado frequentemente quanto ao aumento de temperatura, de pressão arterial ou outros sinais clínicos.

Após a infusão, as células migrarão através da corrente sanguínea para se alojar no local da medula óssea anterior (doente ou comprometida), onde as células tronco  crescem, se dividem e começam a produzir novas células sanguíneas.

A infusão de Células-tronco Hematopoiéticas visa recuperar a medula óssea destruída pelo condicionamento. Por algumas semanas, a nova medula não será capaz de produzir células completamente. Esta fase é chamada de aplasia e é um período de risco para infecções e sangramentos por ter baixo número de glóbulos brancos e plaquetas.

Transfusões de hemácias e plaquetas serão necessárias até que a medula se recupere e produza um número suficiente de células para evitar complicações.

Durante a aplasia, podem ocorrer infecções que serão tratadas.

Após receber alta hospitalar, a equipe continuará com o seu tratamento em regime de hospital dia até resolução de possíveis complicações anteriores. Você só receberá alta definitiva se estiver em plena condição para isto. Do contrário, poderá permanecer internado até que a equipe médica julgue necessário.

Nessa fase é essencial o uso de máscara em hospitais e locais com aglomeração, como por exemplo elevadores, ônibus, metrô, entre outros. Não é necessário o uso de máscaras em casa, somente se houver alguém com estado gripal.

 

Produção Medular

O crescimento da nova medula é verificado através de exames de sangue .

Com maior freqüência, serão realizados 3 tipos de exames: contagem de células para determinar as transfusões sanguíneas (hemograma); bioquímica completa, que avaliará sua condição geral e,se houver suspeita de infecção, serão coletadas culturas para determinar o agente causador.

Após o transplante, os leucócitos normalmente são os primeiros a serem produzidos, seguidos pelas outras células. Os sinais desse crescimento, devem ocorrer dentro de 15 a 25 dias após o transplante.

 

Recuperação

Após o TCTH, a recuperação é lenta. Pode levar alguns meses para você recuperar a condição física anterior à doença. Uma nutrição adequada é particularmente importante para o restabelecimento, assim como adequados cuidados de higiene. A suplementação alimentar ou outros nutrientes podem ser dados até que o apetite normal retorne. O paladar fica alterado por meses.

Após o recebimento de medula, você ainda necessitará de vários medicamentos. A equipe do ambulatório irá esclarecer todas as dúvidas acerca do tratamento indicado. Se julgar necessário, solicite a orientação.